10/06/2011 – Bancos querem alterar modelo de comissão dos “pastinhas”

Após ganhar regras que disciplinam a relação entre bancos e correspondentes, o mercado terá que enfrentar o desafio de alterar a forma de remuneração dos agentes e promotoras de vendas que captam propostas de crédito para os bancos. "A gente reconhece que esse é um desafio que precisa ser encarado", diz o presidente da Associação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços ao Consumo (Aneps), Luis Carlos Bento.

Atualmente, o agente de crédito que faz a captação da proposta recebe uma comissão da instituição financeira assim que a operação é aprovada. Esse pagamento ocorre em uma única vez, independente do prazo do contrato e da possibilidade do cliente de fazer pagamento antecipado. Alguns bancos alegam que o mais correto seria fazer o pagamento da comissão gradualmente e conforme o prazo do contrato.

Com o intuito de elevar o ganho com comissões, alguns pastinhas, como são chamados os agentes, sugerem que os clientes façam uma renovação do contrato crédito, mas com instituições diferentes. A nova concessão gera uma nova comissão. "Precisamos encontrar uma solução que não comprometa a saúde das promotoras, mas que também mitigue esse troca de operações", avalia Bento.

O presidente da Associação Brasileira dos Bancos (ABBC), Renato Oliva, defende que ocorra uma mudança nessa forma de pagamento. A ABBC representa os bancos de menor porte, que utilizam correspondentes bancários e agentes de crédito no processo de captação de clientes. "É desejável a perenidade no pagamento de comissões. Com receitas contínuas, as promotoras conseguem se organizar melhor", diz.

Mesmo grandes bancos defendem uma mudança na remuneração. O diretor da Bradesco Promotora, Fernando Parrelli Junior, afirma que o melhor seria que o modelo de remuneração refletisse o prazo do contrato de crédito. No entanto, admite que a instituição que tentar fazer a alteração sozinha poderá ficar sem correspondentes para atuar. "Isso tem que ser tratado de forma mais ampla e inserida na autorregulação do setor."

No início do ano, o Banco Central (BC) publicou a resolução 3954, que disciplina o relacionamento entre bancos e os  correspondentes bancários. Obriga que os agentes de crédito que atuam na captação dos clientes sejam funcionários dessas empresas de correspondentes, ou de promotoras, ou ao menos tenham um contrato de  prestação de serviço. "Os famigerados pastinhas não vão mais ter o poder de atuar soltos. Isso vai dar maior segurança ao contrato de crédito", diz o diretor da Aneps, Eloy Ventura.

A resolução, no entanto, não faz qualquer menção à forma de remuneração. O chefe do Departamento de Normas do BC, Sérgio Odilon dos Anjos, afirmou que esta questão não cabe à autoridade monetária normatizar, indicando que o setor terá que de fato resolver esse ponto no contexto de autorregulação.

Para Bento, presidente da Aneps, a discussão para um novo modelo de pagamento de comissões ocorrerá no momento adequado e lembrou que o setor tem trabalhado para dar maior transparência aos contratos, indo

além do exigido pelo BC. Como exemplo, citou a criação da ouvidoria que irá acolher reclamações de clientes contra agentes de crédito e correspondentes bancários.

Fonte: Ana Paula Ribeiro  | Brasil Econômico

 

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